quinta-feira, 19 de abril de 2018

Cine Julita debate a atuação feminina na direção do futebol de várzea



Times formados por homens e comandados por mulheres


No último dia 12 de abril, o Cine Julita apresentou o documentário: “Mulheres do Progresso – Muito Além da Várzea”, produzido pelo coletivo DoLadoDeCá.



O evento contou com as participações de Thais Siqueira, pesquisadora do documentário, e Júlia Cruz, diretora de produção do documentário. Elas também trouxeram Sebastiana Santos, mais conhecida como “Tia Aninha”, que teve a vida retratada na produção.

Outra convidada foi Suzana Cavalheiro, ex-atleta profissional e coordenadora da iniciação esportiva de adolescentes e jovens no Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo (CEPEUSP). Já a mediação do debate foi feita pela Beatriz Soares, ex-jogadora de futebol profissional e ex-aluna da Fundação Julita.

Mulheres na direção do futebol: quebra de estereótipos

Para uma plateia lotada, as participantes debateram sobre a atuação feminina em diversas áreas dentro do universo do futebol de várzea, incluindo mulheres que ocupam cargos de diretoras e presidentas de times de futebol, ajudando a quebrar estereótipos machistas que classificam mulheres que frequentam “beira de campo” como “marias chuteiras”.

Nosso coletivo “DoLadoDeCá” organizava festivais de futebol de várzea com vários times. Diante disso, eu comecei a perceber as mulheres do futebol com suas histórias inspiradoras. Essas mulheres são diretoras ou presidentas de times masculinos, possuem voz ativa e são respeitadas dentro do mundo do futebol de várzea”, explica Tais Siqueira, integrante do coletivo DoLadoDeCá e pesquisadora do documentário.


Empoderamento feminino nos campos de várzea

Tia Aninha, também conhecida como uma das figuras mais carismáticas da várzea paulistana, é moradora do Jardim Iporanga, bairro próximo ao distrito do Grajaú, na zona Sul de São Paulo.Conhecida nos campos dos quatro cantos da cidade, venceu o machismo e o preconceito e já soma mais de 40 anos vivendo intensamente o clima das “beiras de campo”.

A minha vida é o futebol, eu gosto dos jogos, de assistir as meninas e os meninos jogarem”, conta, emocionada, Tia Aninha.

Ainda sobre o machismo, Thais Siqueira ressalta que, pelo menos, dentro do futebol de várzea é possível notar um certo grau de respeito.

O futebol é machista, sim, mas observamos que dentro da várzea há um respeito pelo trabalho que é realizado”, pontua.


Tatiana Ivanovici  presente

Durante o Cine Julita foi ressaltado que o documentário “Mulheres do Progresso – Muito Além da Várzea” é a continuação do sonho de Tatiana Ivanovici, jornalista cultural e fundadora da rede DoLadoDeCá, falecida em 2015,  aos 36 anos, vitima de um tumor.


A Tati frequentava os campeonatos de várzea e escrevia sobre eles, ela era conhecida como a menina do blog. Depois, com a criação da Rede DoLadoDeCá,o trabalho continuou. E hoje a concretização desse documentário é também uma homenagem à Tati e a tudo que ela fez e representou”, relembra Thais.

Tia Aninha falando

Thais com a palavra

Beatriz mediando

Suzana contando sua história
Júlia Cruz





NÚCLEO DE EDUCOMUNICAÇÃO

O Cine Julita é organizado pelo Núcleo de Educomunicação da Fundação Julita, que existe desde 2014. O Núcleo de Educomunicação  une a comunicação (análise e apropriação dos meios) à educação, trabalhando conceitos fundamentais para o desenvolvimento do senso crítico, entendimento dos meios de comunicação e da mídia, além de ser um recurso importante para a produção de textos, imagens e conteúdo midiático. Com o intuito de promover a participação social e o exercício da cidadania, além de formações pedagógicas, tendo como base a Educomunicação, o Núcleo já realizou dezenas de cines com temas da realidade da comunidade e quatro MiniFóruns (o último realizado uma vez por ano).

Fotos: Otávio Martins

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Clube de Ex-Alunos da Julita adere ao voluntariado solidário

Com atividades diversas, ex-educandos ajudam em eventos e campanhas.


Com 66 anos de trajetória, muitos alunos (as) já passaram pelos programas de atendimento da Fundação Julita. Pensando nisso, foi inaugurado, em 2017, o “Clube de Ex-Alunos” da Julita, espaço onde esses ex-educandos (as) podem continuar participando, ajudando e contribuindo com a Fundação, além de se reencontrarem, trocar ideias e experiências e fazer novos contatos.
O Clube vem demonstrando toda a sua forca e potencial participando ativamente de eventos e campanhas da Julita.

Retribuindo o carinho e ajuda recebida

Os participantes do “Clube de Ex-Alunos” têm ajudado com trabalhos voluntários, que é uma das formas de retribuir à Fundação Julita tudo o que receberam.
São tarefas simples, mas que fazem toda a diferença. Exemplo disso foi a participação do Clube no evento “FeiJu + Bazar” de março, onde os jovens ajudaram de diversas formas.

Leia alguns relatos de como foi essa participação solidária:


“Eu gostei muito de ajudar na feijoada, porque a minha sensação é que a gente é ajudada também, sabe? Ficar rodeado de gente positiva, rever pessoas, fazer novos contatos, trocar experiências. Acredito que faça bem para os dois lados:  para a organização e para quem está devolvendo um pouco para a Julita aquilo que lhe foi proporcionado, fazendo com que a Fundação consiga arrecadar mais para continuar com  seus projetos e impactando mais pessoas. Esse é um bom motivo para participar!”

Nathalia Cardoso, 25 anos, ex-aluna do curso de Qualificação Profissional com ênfase em Panificação. Hoje Nathalia trabalha na Unilever, também por intermédio da Fundação Julita.


Minha experiência como voluntário foi gratificante!, pois não há melhor forma de ajudar de coração a uma instituição que só ajuda e só quer o bem da comunidade”. 

João Paulo, 23 anos, ex-aluno dos cursos de Hotelaria e Assistente Administrativo, no ano de 2013. 


"Sempre que participo de algum evento da Julita, são experiências e sensações incríveis! Pois, além de aprender um pouco mais, consigo reencontrar pessoas com quem compartilhei parte da minha infância e adolescência. E para os ex- alunos, se possível, sejam voluntários, porque uma mão lava a outra e voltar para a Julita é sempre bom".

Maikon Roberto, 20 anos, entrou na Julita com 4 anos e ficou até os 16 anos. Ex-aluno dos cursos de  Panificação, Auxiliar Administrativo e Espanhol. Atualmente, é universitário no curso de Gastronomia.


Desde muito novo sabia que desejava ser cozinheiro, entrei na Fundação visando isso mesmo. A Fundação Julita foi meu primeiro contato com uma cozinha grande de produção. E sempre sou voluntário nas feijoadas, festas juninas, festivais para ganhar experiência. Claro que agora por já estudar e trabalhar na área eu participo mais com a mentalidade de ajudar mesmo, pois acredito que contribuir com a Fundação significa ajudar mais jovens a terem mais experiências como as que eu tive. Então, sempre que possível pretendo continuar ajudando com voluntariado”.

Matheus Gregório, 18 anos, ex-aluno do curso de Qualificação Profissional com ênfase em Panificação, em 2014. Atualmente, cursa Gastronomia.


Articulação em rede

O “Clube de Ex-Alunos” tem um grupo fechado no Facebook onde acontecem as trocas de ideias e divulgação de eventos, tarefas, além de dicas de cultura, lazer e trabalho.
Ainda há um grupo de WhatsApp que facilita a comunicação de reuniões mensais, a fim de fortalecer os laços de convívio.

Se você é ex-aluno (a) da Fundação e deseja participar do Clube clique aqui


Fundação Julita abre vagas para educadores (as) e estagiários (as) esportivos

Educadores (as)
Descrição das Vagas:
Profissionais comporão equipe que passará por formações contínuas. Irão planejar, ministrar, avaliar e registrar oficinas educativas por meio das diferentes práticas da cultura corporal de movimento, assim como eventos esportivos. O trabalho acontecerá com diversas faixas etárias, mas cada educador (a) será referência para determinado intervalo de idade.

Pré-requisitos:
- Possuir graduação completa em Educação Física (Licenciatura ou Bacharelado) ou Bacharel em Esportes;
- Registro no CREF;
- Ter disponibilidade para participar do processo seletivo;
- Ter disponibilidade para cumprir a carga horária definida pelas vagas;
- Desejável morar nas proximidades do Jardim São Luís.

Horários:
Existem diferentes possibilidades de horários, ao final do processo seletivo os (as) profissionais se enquadrarão em uma delas:
- Segundas, Quartas e Sextas, das 8h às 17h, terças e quintas, das 10h às 19h;
- Segundas às sextas, das 8h às 17h;
- Sábados e domingos, das 8h às 17h. Segundas, das 8h às 12h.

Regime de Contratação, Remuneração e Benefícios:
Regime CLT, contrato pré-determinado de 2 anos, vale transporte, refeições no local (com exceção aos finais de semana) e Assistência Médica e Odontológica.
Salário: R$ 2.025,16
Etapas do Processo Seletivo:
1ª Análise de currículo;
2º Dinâmica em grupo e questionário;
3º Entrevistas individuais.

Sobre a Fundação Julita:
Organização social com mais de 65 anos de idade, localizada no Jardim São Luís, zona sul de São Paulo. Desenvolve ações socioeducativas com as mais variadas faixas etárias. Saiba mais em www.fundacaojulita.org.br ou pelo facebook da Fundação Julita.

Como Participar?
Interessados (as) deverão enviar currículo para o email: carloshc83@yahoo.com.br até o dia 12/04/2018.

Estagiários (as)
Descrição das vagas:
Estudantes participarão de formações continuadas, junto a profissionais da Educação Física e Esportes. Participarão do planejamento, execução, avaliação e registro de eventos e oficinas esportivas, recreativas e de lazer. Auxiliarão no desenvolvimento das atividades, na organização de equipamento e materiais.

Pré-requisitos:
- Estar matriculado e cursando a partir da segunda metade dos cursos Licenciatura / Bacharel em Educação Física, ou Bacharel em Esportes;
- Ter disponibilidade para participar do processo seletivo;
- Ter disponibilidade para cumprir a carga horária definida pelas vagas;
- Desejável morar nas proximidades do Jardim São Luís.

Contrato e Bolsa-Auxílio:
Contrato de até 2 anos, de acordo com as regras da instituição de ensino e período ; Seguro de Vida e Bolsa-auxílio no valor de R$ 600,00 mensais.

Etapas da Seleção:
1ª Análise de currículo;
2º Dinâmica em grupo e questionário;
3º Entrevistas individuais.

Sobre a Fundação Julita:
Organização social com mais de 65 anos de idade, localizada no Jardim São Luís, zona sul de São Paulo. Desenvolve ações socioeducativas com as mais variadas faixas etárias. Saiba mais em www.fundacaojulita.org.br ou pelo facebook da Fundação Julita.

Como Participar?
Interessados (as) deverão enviar currículo para o email: carloshc83@yahoo.com.br até o dia 12/04/2018. 

terça-feira, 20 de março de 2018

Empreendedorismo Feminino é tema do 1º Cine Julita do ano


O primeiro Cine Julita do ano exibiu o documentário “Mulheres que Transformam a Ilha”, que dá voz às mulheres empreendedoras das periferias de São Luís, Maranhão. Após a exibição, a diretora Monique Moraes e Ingrid Barros, diretora de fotografia do filme, participaram de um debate moderado pela educadora do curso “Gestão para o Comércio”, Renata Cristina Soares de Moura Oliveira. Participaram do evento em torno de 100 pessoas, de todas as idades.

 A intenção do documentário é inspirar e incentivar mulheres para o empreendedorismo social”, conta a diretora. Nas entrevistas que estão reunidas nos 32 minutos do documentário há muito mais que isso; o filme é um retrato da força que pode ter um grupo de mulheres que se apoiam em movimentos de empreendedorismo coletivo. Reúne histórias de protagonismo, relatos de sonhos realizados, talentos revelados, empoderamento e desenvolvimento.
Não queríamos colocar o holofote na vulnerabilidade e sim na força dessas mulheres, da comunidade”, conta Ingrid. Há uma fala no filme que ressalta isso: “quando olhamos para uma comunidade, vemos muitas vezes o que falta, a vulnerabilidade, mas o desafio é enxergar as oportunidades”.
A força do coletivo
Para a mediadora Renata, o que ficou mais forte da mensagem passada com o documentário é “a rede de mulheres se fortalecendo, a troca de saberes”. “Eu sempre gostei mais do empreendedorismo social do que do individual, da economia solidária, do associativismo”.
Acredito que o melhor seria termos um ecossistema mais próximo. Seria ótimo se conseguíssemos catalogar todas essas iniciativas (isso é uma necessidade do Maranhão e também daqui, do Jardim São Luís) e daí todas essas mulheres empreendedoras pudessem trabalhar juntas em rede”, acrescenta Monique.
Outros modelos de empreendedorismo
O documentário abriu espaço para várias discussões importantes, como outros modelos de empreendedorismo e o senso crítico até mesmo para empreender. Foi citada a crescente abertura de barbearias na comunidade; muitas vezes esse modelo é fomentado pela mídia ou por modismo, enquanto o importante é observar quais são as reais necessidades da comunidade. Criar necessidades que não existem é uma prática do capitalismo.
“A função do empreendedorismo é a transformação do entorno”, ressaltou Ingrid. “Em vez de ir para o modismo um empreendedor deveria fazer uma pesquisa no território, antropológica (conversar com os moradores) para descobrir qual é a demanda real. Sendo assim, a empreendedora ou empreendedor pode de fato colocar seu conhecimento para trazer impacto à comunidade”, completa Monique.
Neste sentido, diante da pergunta de como se destacar entre várias barbearias no bairro, Monique concluiu que é preciso subverter a ordem e quebrar padrões: por exemplo, vários ou várias profissionais de barbearia poderiam alugar o mesmo prédio, usá-lo no esquema de coworking, e até mesmo dividir o material. Assim diminuiriam as despesas com material e estrutura e todos teriam a possibilidade de venda.
Muitos também apontaram que a própria comunidade muitas vezes não valoriza essas iniciativas de empreendedorismo local. Preferem consumir longe de casa, enquanto poderiam comprar o que é feito no próprio bairro, valorizando e reconhecendo a economia local.
Também foram citadas formas de empreender não só envolvendo recursos financeiros, mas permutas, redes solidárias de mulheres que se ajudam, como o grupo de Facebook “Compro de Quem Faz das Minas - SP”. Outra dica é o “Garotas no Poder – Vagas”.
A produção do documentário
A ideia de produção do documentário “Mulheres que Transformam a Ilha” surgiu a partir de uma pesquisa da British Council que mapeou “Negócios Sociais e Empreendedorismo Feminino” no Brasil. O estudo revelou as seis maiores dificuldades das mulheres empreendedoras: além de conseguir capital (financiamento) e da falta de apoio dos maridos (que também aparece no documentário), pois alguns consideram que o trabalho fora pode atrapalhar as atividades domésticas, um ponto principal foi o de que as entrevistadas não encontravam outros modelos de mulheres empreendedoras para se inspirarem.
“Daí pensei no documentário, no audiovisual, com o relato de várias mulheres inspiradoras uma vez que estava mesmo gravando histórias de empreendedorismo como tema de estudo. Foi tudo muito rápido, precisamos de muito planejamento e foco, usei o que conheço de administração. As gravações aconteceram em uma semana, finalizamos em outubro, e o lançamento ocorreu 30 de janeiro”, conta Monique.
Faz um mês que o coletivo está exibindo o documentário com debates no Maranhão e em São Paulo. No dia 25 de abril, o vídeo estará liberado no Canal do Youtube do projeto que produziu o documentário, o Su Casa, Mi Causa: https://www.youtube.com/channel/UCDJTNDon2uRvUM_hLHlfDPg
No canal, já é possível ver entrevistas e teasers de mulheres empreendedoras que aparecem no documentário.
Para concluir, Renata reforçou que “precisamos e queremos nos juntar e a Julita é um potencial pra isso, a fim de mudar essas situações cristalizadas, pois a sociedade e a mídia fragmentam. Ser coletivo é uma atitude de dentro para fora”. “Precisamos estar em ação para conquistarmos esse ideal de sociedade e de igualdade”, concluiu Monique.
Um minuto de silêncio por Marielle Franco
No início do Cine Julita, foi proposto um minuto de silêncio pelo assassinato da vereadora do PSOL- RJ, Marielle Franco, que atuava em prol dos direitos humanos, uma das poucas vozes em prol da igualdade social e do fim da militarização da segurança pública.



Confira fotos do evento















Fotos: Otávio Martins